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| BESOURO RINOCERONTE / Rhinoceros beetle. Disponível em: http://biologiavida-oficial.blogspot.com.br/2014/08/Megasoma-mars.html Acesso em: 20 fev. 2017. |
Você está em um lugar qualquer
(em casa, na rua, etc). Repentinamente, depara-se com um besouro. E aí? Vai
matá-lo ou deixá-lo viver? (Frequentemente percebo que nós humanos quando vemos
um inseto “invadindo o ‘nosso’ ambiente ‘civilizado’” tendemos a, em um
comportamento assim naturalizado, optarmos por exterminá-lo). Ocorre que nesta “chinelada”
explicitamos nossa máxima ignorância (desconhecimento) em relação ao nosso
passado histórico (“queimamos” várias Bibliotecas de Alexandria cotidianamente).
Temos acesso a muita informação (vale dizer, a muitas informações disparatadas,
fragmentadas), o que nos dá a falsa ilusão de que “sabemos tudo” e de que
estamos na “era do conhecimento”. Com efeito, não se segue que desta enxurrada
de informação extraímos as condições necessárias para melhor compreendermos os
mistérios da existência (mistérios estes que são soterrados pela frieza do
nosso saber tecnicocientífico que sabe com a ilusão de que domina o que
conhece, mas que, na verdade, impregna o real de uma segunda natureza quase tão mítica quanto a outra).
Vamos lá!!! Matamos o besouro
porque ele seria um invasor do nosso civilizado ambiente, uma espécie inferior
à dos “homens sapiens!”, uma simples
e pequena criatura, etc. Contudo não
é bem isso que se verifica! Eles aventuram-se na existência terráquea a bem
mais tempo do que nós. Os besouros, insetos da ordem dos coleópteros, teriam surgido na era Paleozoica (entre 570 a 290 milhões de anos atrás). Nós humanos (“homens sapiens!”), inscritos na ordem
dos primatas, estima-se que existimos desde a era Cenozóica (a 65 milhões de
anos atrás). Devíamos referenciar a não-extinção destes insetos. A permanência
de uma espécie nesta caldeirão terráqueo nos remonta a sobrevivência diante de
predadores, da adaptação e/ou evolução diante da hostilidade do ambiente
externo etc. Nós humanos chegamos bem
depois e, entre progressos e regressos, padecemos diante do medo de
contribuirmos na explosão deste caldeirão (por exemplo, pelos efeitos da poluição
e da degradação ao nosso hábitat causadas por nosso modelo de desenvolvimento
insustentável, pela ameaça da deflagração de outra guerra mundial que poderia
colocar em eminência a possibilidade da extinção de nossa própria espécie pelos
efeitos do uso das nossas últimas e ultramodernas criações bélicas).
Como ia dizendo, nesta “chinelada”
diferida contra o besouro expressamos a força de nossa ignorância irrigada pelo
frescor de uma enxurrada de informação.

