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Disponível em: https://www.google.com.br
Acesso em: 07 dez. 2017. Ideologia: a arte de condicionar visões de mundo (até que ponto você está consciente da que lhe condiciona?).
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Recorrentemente, em uma
visão típica do senso comum, associa-se ao termo “ideologia” apenas àquelas
ideias, concepções e visões de mundo, refratárias à conservação da realidade
imediatamente dada (ao status quo).
Deste modo, restringe-se o campo semântico do termo a uma significação
possível, qual seja, a de ser como que “algo” que possui uma propriedade
ontológica de ser corrosivo e destrutivo à civilização. Com isso, quem (ou
aquilo no caso de ser um objeto ou algo objetificado) é identificado como
ideológico recebe toda sorte de aversão por parte de seus avaliadores, na
medida em que toma-se, inquestionavelmente, como pejorativa e/ou maléfica a
propriedade de ser ideológico e/ou ter ideologias.
Falta àqueles que se
apressam em tomar partido por esta compreensão acrítica do termo uma pergunta
simples, mas fundamental, antes da emissão de qualquer ajuizamento: “o que é
ideologia?”
Não seria igualmente
ideológica, isto é, fundada em ideologias, a visão de mundo amplamente aceita
em uma determinada época, naturalizada e compartilhada pelos cidadãos de um
dado período. Falta este tipo de indagação e estranhamento em relação à visão
de mundo vigente na medida em que estamos mergulhados dentro dela, de modo a, dela,
não nos diferenciarmos e, pelo contrário, nela nos imiscuirmos como uma de suas
partes à medida que a ela somos integrados pelo e no processo de
educação/formação que recebemos existencialmente. Vale ressaltar que esta visão
de mundo desempenha um papel importante no jogo social, qual seja, constituir
um horizonte de sentido comum de modo a assegurar a permanência, a conservação,
do imediatamente dado (do status quo).
Falta ainda a quem quer
que faça este tipo de associação a clareza, e a consciência, de que o mundo é a
realidade da co-existência de ideologias (divergentes e/ou complementares). Com
efeito, é a naturalização de determinada(s) ideologia(s) que assegura aos
conviventes de uma dada época a solidez do mito a partir do qual erigem e
fundamentam o imaginário, desde o qual, convertem o desespero e a angústia
diante da realidade sempre fluída, efêmera, em
devir, em pacificação e resignação diante da segurança de um sentido
existencial, historicamente naturalizado.

