quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Ideologia histórica e história ideológica: pressuposto para a compreensão do processo de educação/formação do homem


Disponível em: https://www.google.com.br Acesso em: 07 dez. 2017. Ideologia: a arte de condicionar visões de mundo (até que ponto você está consciente da que lhe condiciona?).
Recorrentemente, em uma visão típica do senso comum, associa-se ao termo “ideologia” apenas àquelas ideias, concepções e visões de mundo, refratárias à conservação da realidade imediatamente dada (ao status quo). Deste modo, restringe-se o campo semântico do termo a uma significação possível, qual seja, a de ser como que “algo” que possui uma propriedade ontológica de ser corrosivo e destrutivo à civilização. Com isso, quem (ou aquilo no caso de ser um objeto ou algo objetificado) é identificado como ideológico recebe toda sorte de aversão por parte de seus avaliadores, na medida em que toma-se, inquestionavelmente, como pejorativa e/ou maléfica a propriedade de ser ideológico e/ou ter ideologias.

Falta àqueles que se apressam em tomar partido por esta compreensão acrítica do termo uma pergunta simples, mas fundamental, antes da emissão de qualquer ajuizamento: “o que é ideologia?”
Não seria igualmente ideológica, isto é, fundada em ideologias, a visão de mundo amplamente aceita em uma determinada época, naturalizada e compartilhada pelos cidadãos de um dado período. Falta este tipo de indagação e estranhamento em relação à visão de mundo vigente na medida em que estamos mergulhados dentro dela, de modo a, dela, não nos diferenciarmos e, pelo contrário, nela nos imiscuirmos como uma de suas partes à medida que a ela somos integrados pelo e no processo de educação/formação que recebemos existencialmente. Vale ressaltar que esta visão de mundo desempenha um papel importante no jogo social, qual seja, constituir um horizonte de sentido comum de modo a assegurar a permanência, a conservação, do imediatamente dado (do status quo).

Falta ainda a quem quer que faça este tipo de associação a clareza, e a consciência, de que o mundo é a realidade da co-existência de ideologias (divergentes e/ou complementares). Com efeito, é a naturalização de determinada(s) ideologia(s) que assegura aos conviventes de uma dada época a solidez do mito a partir do qual erigem e fundamentam o imaginário, desde o qual, convertem o desespero e a angústia diante da realidade sempre fluída, efêmera, em devir, em pacificação e resignação diante da segurança de um sentido existencial, historicamente naturalizado.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Esperança CIRCUNSTANCIALIZADA

Que a esperança não seja uma espécie de ópio, mas a força motriz a mobilizar ações humanas direcionadas à modificação das situações sócio-históricas concretas que geram (des)esperança.

Disponível em: http://www.doispensamentos.com.br/site/?p=61


Com efeito, se para o processo de educação/formação do homem se coloca como horizonte formar pérolas, então é preciso que ele não se feche às condições sócio-históricas desde as quais se situa; isso ocorre quando ele se mitifica no cultivo de uma esperança ilusória (que se aplica apenas dentro dos limites dos muros institucionais), isto é, fechada em si, idealística, que não dialoga com as realidade que lhe são adversas. Com efeito, assim como ocorre com a concha no processo de constituição da pérola, é necessário o ferimento, advindo do contato com as condições adversas (neste caso, contidas na realidade sócio-histórica), para que o processo ocorra conforme o esperado.