sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Por quê a LAMA é AMARGA?

O caderno de Economia do Jornal O tempo, na edição de ontem (08 de dezembro de 2016), vinculou uma manchete que, situada no macro-contexto histórico no qual está inserida, elucida aspectos importantes que não são considerados com o relevo necessário no caso paradigmático da tragédia ocorrida em Bento Rodrigues (Mariana, MG) a mais de um ano atrás (05 de novembro de 2016). Constava no jornal: "SAMARCO PLANEJA VOLTA E FATURAMENTO DE UU$ 1 BI EM 2017" e ainda "REATIVAÇÃO: VALOR É TRÊS VEZES MAIOR QUE O GASTO NOS REPAROS DA TRAGÉDIA" (Segundo o mesmo jornal: valor estimado de produção, de acordo com a cotação do dólar comercial ontem: R$ 3,6 bilhões. Valor gato até outubro para mitigar os efeitos da tragédia: R$ 1,05 bilhão).

Recupera-se a lucratividade: e as vidas ceifadas? Qual o papel histórico dos atingidos na tragédia (vítimas impactadas diretamente e indiretamente / mortos-desabrigados-criminalizados socialmente-atingidos pela lama E desempregados)? Que papel desempenham na cena histórica? Em que medida existem enquanto figuras históricas? 
Disponível em: <https://pixabay.com/pt/empres%C3%A1rios-equipe-economia-604311/> Acesso em: 09 de dez. de 2016

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

VAZIO CONCRETO

Falam de nossa época como se fosse a época do vazio, do niilismo, da efemeridade, da instabilidade, do presentismo, etc. (como se disso se seguisse que não deixaremos "nada" de legado nosso). Prefiro dizer que é a época do vazio concreto. Não é que não restará  legados às próximas gerações. O próprio vazio será um legado. Um vazio concreto (o vazio, nesse caso, não é o contrário de presença; pode-se falar em um vazio povoado, um vazio concreto [que possui historicidade]).

Disponível em: <https://tintaaoleo.wordpress.com> Aceso em: 08 de nov. de 2016

sábado, 5 de novembro de 2016

DILAMA

Disponível em: https:<//pt.wikipedia.org/wiki/Rompimento_de_barragem_em_Mariana> Acesso em: 05 de nov. de 2016.
DILAMA

 “De tudo que existe nada mais será destruído pelas águas do dilúvio.
Nunca mais haverá dilúvio para devastar a Terra”.
Assim assegurou a Noé o Criador.
De tempos em tempos
De épocas em épocas
O tempo passou.
A promessa não foi quebrada
Mas eis que o tempo de um novo dilúvio chegou.
Dilúvio de lama
Que instaura o drama.
Diluvio da barragem que se rompe
Do mar de lama que violentamente se irrompe.
Revelando facetas de morte
Implícitas na economia a serviço do lucro.
Revelando a sordidez sistêmica de um caiado sepulcro.

Revelam-se os mistérios do progresso diluviante.
Que fizeram da vida?
Tornaram-na opaca e cinzenta
Imersa na lama do lucro abissal.
Vestígios de um jogo fatal.
Poder do progresso
Regresso do poder
Poder do regresso
Coletivo decesso.

Dissera o Criador:
“Sejam fecundos”
Fecundamos o quê?
Os embriões do lucro
O vírus do poder.
Fecundidade diluviante.
Ópio delirante.

Onde estará o ramo verde?
Trazido pela pomba opaca de lama
Revelando a desejada mensagem de esperança
Creditada pelo coração de quem não desespera porque ama.
Ama na luta e na perseverança quase absurda
Ama na fecundidade da vida fecunda.
Latente e manifesta no ressurgir pós-diluvial
Latente e manifesta na renovação colossal
No olhar esperançoso do guerreiro
No sorriso inocente da criança
Na fé que nos instiga a viver com perseverança
Na força que vem do Criador
Na organização coletiva de luta e ardor
Na insistência em amar mesmo na dor
Na solidariedade despertada entre irmãos.
No amor que deseja florescer em cada coração.
Na fé tornada fermento de transformação
Tornando melhor o mundo que nos circunda.
Fecundidade fecunda.



Cleiton Henrique Lopes
Mariana, 16 de setembro de 2016.

ADENDO
Ainda sensibilizado pela reflexão instigada pelo VI Fórum Social pela Vida (promovido pela Arquidiocese de Mariana), que teve como tema e lema, respectivamente, “Casa Comum, nossa responsabilidade” e “por uma Economia e por uma Política a serviço da Vida”; por ocasião do primeiro aniversário do crime contra a vida (em suas diversas formas de manifestação) ocorrido em Bento Rodrigues (Mariana, MG) no dia 05 de novembro de 2016; dado o caráter determinante e distintivo da fé e da economia enquanto elementos fulcrais do tipo de organização societária verificado em Mariana; reafirmando a primazia do valor da vida, bem como, a imperativa necessidade de que sejam asseguradas as devidas condições para que ela se realize dignamente no aqui-agora histórico; reivindicando que os “atingidos” tenham acesso garantido a tudo aquilo que, por direito, lhes é assegurado; publico o poema acima contido. Não se trata, em absoluto, de instrumentalizar a arte. A poesia considerada não pretende ser um fim em si mesma. O que é visado é muito mais a reflexão que os sujeitos históricos podem fazer a partir das condições atuais de sua existência e da consideração do conteúdo do que o próprio conteúdo nela contido.


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

CONTO DE FERAS

Era uma vez havia uma cidadezinha interiorana chamada Yaqueri. O tempo passava e Yaqueri não progredia. A política havia se corrompido e predominava os interesses individuais de eleitores e candidatos sobre os da coletividade (o vírus da corrupção era disseminado na política local). Os eleitores não pensavam em outra coisa senão em conseguir dinheiro, material para construção, “serviço de dentes”, pontes, estradas nas lavouras, gasolina para automóveis, carro individual para transporte (a preço da gasolina) e a obtenção de favores em geral. Os candidatos, sabendo que os eleitores desejavam tudo isto, tratavam de realizar todos os desejos dos eleitores de “olho” na ascensão ao poder para, aí, conseguir a realização de seus desejos igualmente individuais: carro para locomoção, salário pomposo, prestígios e outros benefícios provindos da função exercida. Muitos não sabiam e os que sabiam se conformavam, no entanto, o fato é que este perverso sistema era sustentado pelo fato de que o voto se tornou mercadoria. Assim, ganhava a disputa eleitoral quem tinha mais dinheiro. No final das contas o candidato que era eleito fazia o mínimo possível – quando fazia algo -, cumpria alguns compromissos eleitoreiros e torcia para que a sociedade da pequena Yaqueri continuasse cada vez mais empobrecida e acrítica a fim de que, nas próximas eleições, chegassem ao poder novamente mediante a compra e venda de votos. Com efeito, como o povo yaqueriense fosse guerreiro e astuto não obstante o julgo que sobre ele pesava, num belo dia ele acordou deste sono profundo. Deste dia em diante tomou consciência de seu papel na política e passou, ao invés de se preocupar com a resolução de interesses individuais, a cobrar dos candidatos (eleitos ou em campanha) assuntos de interesses coletivos: saúde, educação, segurança pública, transporte eficiente e de qualidade, melhoramento das condições das ruas e das estradas municipais, saneamento básico, melhoria na infraestrutura da cidade, enfim, a realização de políticas públicas efetivas capazes de promover a resolução dos problemas locais visando o bem de todos.

sábado, 6 de agosto de 2016

"Espírito Olímpico": "injeção positivista"

Em tempos de Crise a difusão do "Espírito Olímpico" revela-se ser, na verdade, a injeção de uma boa dose de otimismo em uma nação DESCONFIANTE quanto a real possibilidade de progresso. Deste modo, o "Espírito Olímpico" revela-se ser uma possibilidade de "ressignificar" a crise mantendo as condições que a gerou.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

A PAZ QUE EU CONHEÇO ...

A paz que eu conheço não significa ausência de conflitos; mas uma perspectiva de luta que difere da do uso de violência.


Disponível em: <http://www.google.com.br//> Acesso em: 02 de ago. de 2016

terça-feira, 21 de junho de 2016

A GLÓRIA DA TÉCNICA E DA CIÊNCIA: o homem tecnocientífico





Ainda que o homem moderno da ciência e da técnica olhe de forma arrogante para a Idade Média dizendo que “o espírito de fechamento pairava nos sistemas escolásticos”, ele não deve se vangloriar da atual posição ocupada na relação estabelecida com mundo tecnocientífco. O homem não se realiza plenamente!!! A liberdade se situa em um plano distante!!! A necessidade de em tudo satisfazer a critérios objetivos sob pena de, caso contrário, seu saber “nada valer” o torna escravo e alienado a um mundo que cerceia sua liberdade criadora e poda a realização de suas potencialidades positivas. A realidade torna-se ainda mais caótica na medida em que percebemos que está tendência esta incrustada desde os nossos sistemas educacionais – que formam homens de técnica e da técnica; homens de ciência e da ciência – indicando o tipo de futuro ao qual estamos nos determinando, isto é, ao futuro da técnica e da ciência que realiza o homem a partir de seus grandes feitos técnicos e científicos ao mesmo tempo que o impede de realizar sua humanidade. Evidência nítida desta tendência incrustada em nossos sistemas de ensino é a determinação do modelo de avaliação dos estudantes adotado pelas instituições orientados em vista, no Ensino Médio, da obtenção de avaliação positivas em provas do governo, bem como, da aprovação do estudante no ENEM; no Ensino Superior, da obtenção de avaliação positiva no exame do ENADE. Até quando será necessário nos imbuirmos de um espírito pragmático que nos retira a vangloriada liberdade, a desejada realização de nossas potencialidades, entre outras características que nos fazem humanos e não homens técnicocientíficos? 


Disponível em: https://tecnosociabilidade.wordpress.com











Linear? Contínuo? Progressivo Teleológico?                                      Reflita!!!!

sexta-feira, 10 de junho de 2016

TOPOLOGIA DO SONHO

TOPOLOGIA DO SONHO

Desejo vivamente um sonho
Do melhor sabor
De impagável valor
Encontrado na rua da utopia.

Sonho não produzível
Sonho sonhado
Feito de ingredientes abstratos
Adocicado nos temperos da existência.

Num desses dias amargos
Desejo degustá-lo
Vagarosamente saboreá-lo
E ser por ele consumido.

Quero um sonho imaterial
Não corruptível
Que o doce seja sempre doce
Tal como fosse um supremo néctar.

Quero um desses sonhos
Que não se encontra em padarias
Só localizado no endereço da utopia.

Um sonho realizável
Um sonho irrealizável
O que importa?
Quero um sonho!

Um desses sonhos diferentes
Que a gente acorda pra sonhar
E sonha para acordar.

E sonhando vamos
E sonhando somos
Sonhando existimos
Sonhando posso ser
Aquilo que sonhando sou.


terça-feira, 31 de maio de 2016

UTOPIA?

Solicitado por Emanuel Dias, amigo e fundador do Blog Utopia do Viver, em ocasião do primeiro aniversário de criação do seu blog, para que eu escrevesse uma mensagem que dissesse algo a cerca da utopia, expressei a seguinte:


UTOPIA DO VIVER é a busca constante de um impossível que torne possível nossa insólita existência; UTOPIA DO VIVER é a busca por uma forma de existir que nos afaste da morte em vida (da vida sem consciência de si, alienada de si mesmo, tornada amorfa); UTOPIA DO VIVER é a nossa vida cotidiana tomada essencialmente como um processo de construção cotidiano em direção a uma meta, mais nobre, verdadeira e real, que muitos insistem dizer sê-la inalcançável.

Disponível em: <http://www.botecofilos.blogspot.com
Quais são suas utopias?
O que é uma utopia para você?
O que você espera de uma utopia?
O que é um "ser utópico"? 
Como você o vê?
Como você se vê?

O que o futuro representa para você? 

Quanto aos que olham com desconfiança, bem como, aos que levam a cabo uma verdeira caça aos utópicos diria o seguinte: Se me fizessem a proposta de atravessar o Oceano em uma canoa frágil; de certo eu a recusaria. Primeiro, por saber da imponência do Oceano. Segundo, por saber da fragilidade da minha embarcação.
As certezas podem ser frágeis!
Pense nisso....
Morrer no paraíso? Acredite. sonhe. Faça a diferença... por um mundo melhor!!!

sexta-feira, 13 de maio de 2016

O QUE É ABOLIÇÃO?


Hoje se completam 128 anos em que a escravatura foi oficialmente abolida no Brasil pela Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel, em 13 de maio de 1888  (sendo um dos últimos países da América a extinguir, oficialmente, a escravidão). No Dicionário Aurélio temos que o termo abolir significa: “1. Acabar com; revogar, extinguir. 2. Fazer desaparecer; extinguir, eliminar, suprimir. 3. Pôr fora de uso. 4. Eliminar, banir, suprimir”.

Disponível em: <http://cesariopinto.blogspot.com.br>
Nesse sentido vale a pena refletir: quais os limites e as possibilidades de compreensão da abolição da escravatura no caso da nação brasileira? A escravidão foi mesmo extinta? O que ainda persiste a eternizar, ainda que de forma metamorfoseada, os laços de escravidão em nossa sociedade? Onde estão os “libertos”? Que papel desempenham na sociedade? Como são vistos? Que espaço encontram em meio às desconfianças e preconceitos? Quais são as novas formas de escravidão em nossa sociedade?

Resquícios diversos da cultura escravista ainda se fazem presente nos apontando para o fato de que ainda é necessário que a abolição se concretize em diversos âmbitos de nossa sociedade: a maioria da nossa população carcerária é jovem, negra e pobre; o trabalho infantil ainda é uma realidade; o tráfico de drogas, de armas e de órgãos é uma terrível realidade que atenta de diversas formas contra a dignidade da vida; a prostituição infantil e a via da clandestinidade se constituem para muitos como meio de subsistência; a desigualdade social (falta de oferta equitativa de serviços de saúde, alimentação, educação e moradia); o elitismo; o paternalismo e a corrupção, sobretudo, na política; isto pra não dizer do preconceito racial, social e sexual.


A abolição, sobretudo enquanto tomada no contexto de uma nação que se desenvolveu, em grande medida, as custa do regime escravista, deve ser tomada como uma ideia em um processo de construção contínua. Ela não é uma realidade dada. A abolição se dá expansivamente, primeiro através da libertação de correntes que cerceiam a liberdade individual (que leva os indivíduos ao comprometimento com perspectivas que determinam e aprisionam a si e ao próximo), depois através da ação concreta e consciente de todo e cada um dos indivíduos esclarecidos que lutam para que os grilhões da escravidão sejam dissipados das estruturas sociais (para que deixem de gerar a morte e passem gerar a vida). O que temos feito para que ela se torne mais real?

quinta-feira, 12 de maio de 2016

NA POLÍTICA NÃO TEM “GOLPE DE SORTE”!

NA POLÍTICA NÃO TEM “GOLPE DE SORTE”!

Na política é possível que haja golpe. Contudo, golpe de sorte não. A política não se curva perante os desígnios da sorte e do acaso, pelo contrário, ela se orienta conforme o calor dos interesses em jogo (sejam eles cumpridores do ideal da busca do bem comum ou pervertidos pelos interesses particulares face aos coletivos). 

Somando o número de senadores que votaram favoravelmente ao impeachment (a quantia de 55 votantes) mais os que votaram contrariamente (a quantia de 22 votantes) chegamos a somatória de 77 votantes no total. Um numerólogo pode muito bem interpretar este resultado numérico dizendo que ele indica a dupla perfeição do ato que culminou no afastamento da presidente Dilma (o número sete costuma ser tomado como significante do princípio de perfeição).

Com efeito, não pense que somente está associação é superficial e supersticiosa. Neste momento, praticamente todas as tentativas de qualificar o afastamento da presidente como sendo um ato que resulta em benefícios ou malefícios para a nação, por mais que parta da análise dos mais renomados especialistas, devido a inexistência do distanciamento histórico do fato, este último tão necessário para uma análise que desnude as aparências e vá direto ao cerne dos interesses em jogo, está fadada a ser igualmente superficial e supersticiosa.

O que nos aguarda no nosso horizonte político? O que esperar do novo governo? Avanços? Retrocessos? O interesse de quais grupos será defendido? O que podemos fazer em prol de um Brasil melhor? Na política, não conte com a sorte. Conte com a ação de sujeitos históricos que agem no calor das forças em jogos visando tornar reais  interesses diversos
Disponível em: <https://commons.wikimedia.org Acesso em: 12 de maio de 2016.




                                                                                                                

quarta-feira, 11 de maio de 2016

POLÍTICA SE DISCUTE: QUE FUTURO QUEREMOS?

POLÍTICA SE DISCUTE: QUE FUTURO QUEREMOS?

A natureza nos evoca a imagem de processos sucessivos e de continuidade cronológica. O quente tende a tornar-se frio (e vice-versa); o dia sucede a noite (e vice-versa); o outono tende a ser sucedido pelo inverno, que é sucedido pela primavera, que por sua vez é sucedida pelo verão, até que tudo recomece novamente no outono; a água que evapora tende a retornar em forma de chuva; a semente tende a germinar e dar origem a um novo ser; os frutos tendem ao amadurecimento; o pequeno tende a tornar-se grande; as folhas secas tendem a cair e se tornarem húmus (esterco); a vida caminha para a morte; o começo conduz a um fim; etc. Tudo parece se suceder segundo os ditames das leis da natureza (de forma cíclica e natural).

No entanto o mesmo não acontece com as leis humanas. Pelo contrário, estas são fruto de convenções feitas por homens que, a partir de determinadas instâncias sociais que ocupam, recebem a incumbência de fazê-las no intuito e normatizar o convívio social.

Nesse mesmo sentido a política deve ser tomada. Ela não obedece às lei da natureza. Muito pelo contrário, é forjada no decorrer dos tempos, nas mais diversas formas de organizações sociais, no calor dos mais diversos interesses em jogo.

Retomando o contexto grego, no qual a política tem fincadas suas principais raízes, constatamos que ela (a política), enquanto fenômeno, está diretamente associada ao processo de surgimento da pólis grega. O que nos remete ao caso específico ateniense, no qual, através da política, os cidadãos assumiam o compromisso de construir o melhor caminho para a organização e o desenvolvimento da pólis (o faziam através do espírito das leis).

Em Aristóteles, o homem somente se realiza enquanto animal racional (zoon logikón) na medida em que se realiza como animal político (zoon politikón). Assim, quem disse que política não se discute está equivocado e ludibriado por uma ideologia (conjunto de ideias) contrária aos reais princípios da política. A política deve ser entendida como sendo fruto de um processo de construção coletiva. Nesse sentido, leis como a que foi promulgada recentemente pela Assembleia Legislativa de Alagoas (trata-se da Lei n. ° 7.800/16, que silencia os professores na sala de aula quanto a discussão de temáticas relacionadas à política) e a promulgada (e posteriormente alterada) no início do ano pela prefeitura de São Paulo (que proibia os taxistas de opinarem sobre assuntos como a política, religião e futebol) são claros exemplos de resquícios de totalitarismo que fere princípios básicos da política democrática.


Mais do que nunca, neste momento histórico que estamos vivendo em nosso cenário político, com todas as atenções voltadas para a possibilidade do impeachment da presidente Dilma, é necessário que tomemos consciência do papel que devemos desempenhar enquanto cidadãos atuantes (não omissos, alheios e alienados). Desde Maquiavel é possível perceber que a política é feita a partir de interesses em jogos (agora, interesse de partidos, bancadas, grupos e, porque não, interesse de determinados atores sociais preocupados em ocupar o poder), assim sendo, não podemos ficar de camarote assistindo tudo acontecer sem nos posicionarmos criticamente quanto ao fato (sem cairmos nos discursos da atual “situação” e da atual “oposição”). Qual o Brasil que queremos? Para onde caminhamos? Que horizonte temos para o nosso futuro enquanto povo de uma mesma nação? A política é um bom espaço para buscarmos respostas para estas e outras perguntas. Política se discute.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

NOTÍCIA FANTÁSTICA: OS MONSTROS NÃO SERÃO EXTINTOS

OS MONSTROS NÃO SERÃO EXTINTOS


Os dragões não foram extintos. Consta-se que, no último dia 05 de novembro de 2015, a ação de um deles causou uma incalculável destruição que, tendo seu epicentro no distrito de Bento Rodrigues (Mariana, MG), propagou-se por onde passa o curso do Rio Doce. O lugarejo ficou completamente arrasado: famílias tiveram suas casas destruídas, vidas (humanas e não humanas) foram podadas, houve inúmeros casos de desaparecimento de pessoas, houve grandes percas materiais e não materiais, sonhos foram roubados, a perspectiva de um futuro melhor naquela localidade foi aniquilada, a história e a cultura da comunidade local foram varridas como que se fosse lixo, a única escola e uma das igrejas foram metaforicamente destruídas... não restou pedra sobre pedra (os terrões sólidos se tornaram “lama”). Não fosse isto o bastante, o dragão saiu dando vazão a sua obra de destruição seguindo o curso do Rio Doce – que tornou-se “amargo”. Comunidades ribeirinhas foram arrasadas, famílias foram diretamente afetadas e desabrigadas, comunidades destruídas, casas tornadas inóspitas, a história, os valores, a cultura, a horta no fundo do quintal, o estilo de vida... tudo foi destruído pela Fera. Os fatos narrados são factíveis. Também teve um agente que os causou... talvez não seja um dragão. No final das contas o que consta nas entrelinhas é o fato de que, porquanto a natureza não cuida disto, o homem trata de criar seus próprios monstros. Os fatos sucedidos ocorreram após o rompimento da barragem de rejeito de minérios, da mineradora Samarco.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

A VERDADEIRA PRISÃO
A verdadeira prisão é a privação da liberdade de espírito: ela cerceia o homem da realização de suas capacidades mais verdadeiras e reais e o aprisiona mesmo na aparente liberdade.