Os
episódios ocorridos no mês de janeiro deste ano no Norte e Nordeste do país
(mais especificamente, as “rebeliões” que culminaram na morte de “presos” para
o deleite de sensacionalista como o ex-secretário nacional de juventude que
afirmou que "tinha era que matar mais", bem como aguçando a insensibilidade a problemas socioeconômicos
enraizados na realidade brasileira típica de um tipo de público que para isso
experimenta um processo de deFORMAÇÃO/desINFORMAÇÃO/), além de revelarem pontos
falhos de nosso precário Sistema Prisional, evidenciam aspectos importantes
presentes nas interfaces da complexa relação estabelecida entre formas de poder
em jogo, sobretudo, no campo da nossa realidade social, política, econômica e
cultural: o poder estatal e o poder do crime organizado. O poder
estatal, ainda que se tenha alcançado determinadas conquistas nesse sentido,
demonstra vestígios de precariedade e insuficiência no que se refere a criação
de políticas públicas efetivas para a superação da atual situação
socioeconômica do país, que propícia o aumento da violência, o desenvolvimento
do crime organizado, a persistência do quadro de exclusão e desigualdade
social, o agravamento das questões sociais de forma geral. O crime organizado
se agiganta neste “buraco negro” deixado pelo poder estatal. É preciso
enfatizar que esta luta entre estes poderes, - a princípio opostos, mas na
verdade, complementares porquanto estão enraizados na mesma realidade histórica
-, é encarnada por homens que a assumem, a prolongam, a eternizam, sem que isso
fosse uma condição necessária de sobrevivência da espécie. Então, porque o
fazem? O homem é um ser de poder (ele o deseja, aspira e fascina-se diante
dele). E assim, situados numa realidade histórica e concreta, homens dos dois
lados em jogo se “digladiam” enjaulados numa situação historicamente criada
para haver disputa de poderes. Com efeito, são homens igualmente humanos e da
mesma espécie lutando numa luta desigual. Esta luta terá fim quando nem um dos
lados for alimentado pelas condições sóciohistóricas da nossa realidade, isto
é, quando o poder não for usado para calar o fosso histórico que há entre eles.
Caberia, portanto, pensar no uso instrumental do poder no objetivo específico
da realização da liberdade, da igualdade e dos potenciais positivos da
humanidade, por meio da criação de condições concretas que realizem tais
intentos, até então, ideais. Muito já foi feito nesse sentido, contudo,
concomitantemente com os avanços, permaneceu as raízes do problema (a
corrupção, o paternalismo, o clientelismo, o assistencialismo, etc) no modo de
se expandir as políticas governamentais nesse sentido desenvolvidas.

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