quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Poderes em jogo: vestígios de uma luta banal

Os episódios ocorridos no mês de janeiro deste ano no Norte e Nordeste do país (mais especificamente, as “rebeliões” que culminaram na morte de “presos” para o deleite de sensacionalista como o ex-secretário nacional de juventude que afirmou que "tinha era que matar mais", bem como aguçando a insensibilidade a problemas socioeconômicos enraizados na realidade brasileira típica de um tipo de público que para isso experimenta um processo de deFORMAÇÃO/desINFORMAÇÃO/), além de revelarem pontos falhos de nosso precário Sistema Prisional, evidenciam aspectos importantes presentes nas interfaces da complexa relação estabelecida entre formas de poder em jogo, sobretudo, no campo da nossa realidade social, política, econômica e cultural: o poder estatal e o poder do crime organizado. O poder estatal, ainda que se tenha alcançado determinadas conquistas nesse sentido, demonstra vestígios de precariedade e insuficiência no que se refere a criação de políticas públicas efetivas para a superação da atual situação socioeconômica do país, que propícia o aumento da violência, o desenvolvimento do crime organizado, a persistência do quadro de exclusão e desigualdade social, o agravamento das questões sociais de forma geral. O crime organizado se agiganta neste “buraco negro” deixado pelo poder estatal. É preciso enfatizar que esta luta entre estes poderes, - a princípio opostos, mas na verdade, complementares porquanto estão enraizados na mesma realidade histórica -, é encarnada por homens que a assumem, a prolongam, a eternizam, sem que isso fosse uma condição necessária de sobrevivência da espécie. Então, porque o fazem? O homem é um ser de poder (ele o deseja, aspira e fascina-se diante dele). E assim, situados numa realidade histórica e concreta, homens dos dois lados em jogo se “digladiam” enjaulados numa situação historicamente criada para haver disputa de poderes. Com efeito, são homens igualmente humanos e da mesma espécie lutando numa luta desigual. Esta luta terá fim quando nem um dos lados for alimentado pelas condições sóciohistóricas da nossa realidade, isto é, quando o poder não for usado para calar o fosso histórico que há entre eles. Caberia, portanto, pensar no uso instrumental do poder no objetivo específico da realização da liberdade, da igualdade e dos potenciais positivos da humanidade, por meio da criação de condições concretas que realizem tais intentos, até então, ideais. Muito já foi feito nesse sentido, contudo, concomitantemente com os avanços, permaneceu as raízes do problema (a corrupção, o paternalismo, o clientelismo, o assistencialismo, etc) no modo de se expandir as políticas governamentais nesse sentido desenvolvidas.  


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