POLÍTICA SE DISCUTE:
QUE FUTURO QUEREMOS?
A natureza nos evoca a imagem de
processos sucessivos e de continuidade cronológica. O quente tende a tornar-se
frio (e vice-versa); o dia sucede a noite (e vice-versa); o outono tende a ser
sucedido pelo inverno, que é sucedido pela primavera, que por sua vez é
sucedida pelo verão, até que tudo recomece novamente no outono; a água que
evapora tende a retornar em forma de chuva; a semente tende a germinar e dar
origem a um novo ser; os frutos tendem ao amadurecimento; o pequeno tende a
tornar-se grande; as folhas secas tendem a cair e se tornarem húmus (esterco);
a vida caminha para a morte; o começo conduz a um fim; etc. Tudo parece se suceder
segundo os ditames das leis da natureza (de forma cíclica e natural).
No entanto o mesmo não acontece
com as leis humanas. Pelo contrário, estas são fruto de convenções feitas por
homens que, a partir de determinadas instâncias sociais que ocupam, recebem a
incumbência de fazê-las no intuito e normatizar o convívio social.
Nesse mesmo sentido a política deve
ser tomada. Ela não obedece às lei da natureza. Muito pelo contrário, é forjada
no decorrer dos tempos, nas mais diversas formas de organizações sociais, no
calor dos mais diversos interesses em jogo.
Retomando o contexto grego, no
qual a política tem fincadas suas principais raízes, constatamos que ela (a
política), enquanto fenômeno, está diretamente associada ao processo de
surgimento da pólis grega. O que nos
remete ao caso específico ateniense, no qual, através da política, os cidadãos
assumiam o compromisso de construir o melhor caminho para a organização e o
desenvolvimento da pólis (o faziam
através do espírito das leis).
Em Aristóteles, o homem somente
se realiza enquanto animal racional (zoon
logikón) na medida em que se realiza como animal político (zoon politikón). Assim, quem disse que
política não se discute está equivocado e ludibriado por uma ideologia
(conjunto de ideias) contrária aos reais princípios da política. A política
deve ser entendida como sendo fruto de um processo de construção coletiva.
Nesse sentido, leis como a que foi promulgada recentemente pela Assembleia
Legislativa de Alagoas (trata-se da Lei n. ° 7.800/16, que silencia os
professores na sala de aula quanto a discussão de temáticas relacionadas à
política) e a promulgada (e posteriormente alterada) no início do ano pela
prefeitura de São Paulo (que proibia os taxistas de opinarem sobre assuntos
como a política, religião e futebol) são claros exemplos de resquícios de
totalitarismo que fere princípios básicos da política democrática.
Mais do que nunca, neste momento
histórico que estamos vivendo em nosso cenário político, com todas as atenções
voltadas para a possibilidade do impeachment
da presidente Dilma, é necessário que tomemos consciência do papel que devemos
desempenhar enquanto cidadãos atuantes (não omissos, alheios e alienados).
Desde Maquiavel é possível perceber que a política é feita a partir de interesses
em jogos (agora, interesse de partidos, bancadas, grupos e, porque não,
interesse de determinados atores sociais preocupados em ocupar o poder), assim
sendo, não podemos ficar de camarote assistindo tudo acontecer sem nos
posicionarmos criticamente quanto ao fato (sem cairmos nos discursos da atual “situação”
e da atual “oposição”). Qual o Brasil que queremos? Para onde caminhamos? Que
horizonte temos para o nosso futuro enquanto povo de uma mesma nação? A
política é um bom espaço para buscarmos respostas para estas e outras
perguntas. Política se discute.
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