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Tempo
passou.
Relógio
marcou.
Bateria
acabou.
Relógio
parou.
E o tempo?
O tempo
continuou!
Indiferente
à morte súbita do fiel marcador.
Também
prossigo como fiel viajor.
No dia
oportuno,
Sem que
seja infortúnio,
Fieis
viajores também passarão.
As coisas e
o tempo seguirão,
Impassíveis
que são.
O tempo há
de continuar,
Sem que
haja alguém para o amar ou odiar.
Não haverá
homem nem relógio.
Muito
menos esta imbricada relação.
Moderna
religião.
Relicários
diversos:
No pulso,
no bolso, na torre...
Pretendem
armazenar o que não se deixa domar.
Aprisionam,
pois, o incapitável
Que, lá de
dentro, dita aos venerandos homens lei inefável:
“Sê
pontual” bom viajor.
Eles a
acatam com temor e tremor.
Este
sagrado profano que a todos governa.
Hereges
ele condena.
Excomunhão
eterna.
Anátema,
Aos
impontuais.
Que resta
desta religião?
Não há
salvação.
Culto
permanente.
Conteúdo
imanente.
Eterno
repente
A ressoar
no íntimo de cada existente:
“A
pontualidade é a redenção”.
Religião
sem promessa de paraíso.
Que prêmio
esperas ao ouvir soar derradeiro guizo?
No último
respiro cessará os encantos do “Reino dos Tempos”
Que
beleza, que prazer, se sente nesse trágico momento?
Quiçá haja
oportunidade para contentamento ou descontentamento!
Não haverá
mais atraso nem pontualidade
Nem os adornos
por ela recebidos
Que ti
restará de felicidade?
Não te
permite usufruir das primícias do temporal sacrifício
Que tu
mesmo oferece,
No seu
constante suplício.
Saibam
tenazes sacrificantes,
Sacrificadores,
Oferecedores
de preciosos instantes:
Quem
alimenta o Kronos.
Será por
ele por inteiro engolido.
Se
Cronometrados estamos,
Vivemos
remidos,
Porém, por
chama gélida somos lentamente consumidos.
A ladear
este altar sacrifical não há velas,
Não há
calor, fogo, emoção ou paixão.
Tudo se
reduz ao cálculo da reta e impassível razão.
Pra quê realização
e felicidade?
Importa
encarnar impessoais entidades: eficácia e lucratividade.
Acordados
e adormecidos.
Vitoriosos
e vencidos.
Portentoso
exército.
A marcha
por povoados desertos.
Rumo a
destino incerto.
Sob o ritmo
contínuo do Tic-Tac.
Ao fundo
canta o intrépido rouxinol:
“Vaidade
das vaidades, tudo é fugaz debaixo do sol”.
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