quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Utopia nas eleições de 2018?


O britânico Winston Churchill, no primeiro volume da obra “Memórias da Segunda Guerra Mundial” (1959), na tentativa de nomear o conflito ao presidente Roosevelt, expressa-o como “a Guerra desnecessária” [e evitável]. Em alguns momentos da obra nos permite entrever que havia a perspectiva de que, após o conflito, imperaria “a Paz e a Segurança”, mas que isso de fato nunca se sucedeu, mesmo “após todos os esforços e sacrifícios de centenas de milhões de pessoas”. Não se trata aqui de afirmar que o britânico defende a tese de que a Segunda Guerra se desenrolou tendo como motivação a busca das Nações por Paz e Segurança (basta revisar as diversas análises de conjuntura existentes acerca do contexto anterior ao conflito, para constatar que seria um disparate afirmar tal coisa), mas de admitir que, em alguma medida, havia esta expectativa, e que esta expectativa não se realizou.

Ora, esta expectativa um tanto quanto utópica e, de algum modo, necessária como critério para dinamizar e assegurar a manutenção das condições de sociabilidade e governabilidade, não se realiza historicamente de forma plena. O desafio para os homens de todas as épocas é pensar como ela vai ser apropriada pelas “figuras de exercício do poder”. Ela pode ser utilizada, estrategicamente, para a cooptação das massas (mediante a promessa de que se realizarão em determinado Governo).

Nas eleições deste ano reinou semelhante expectativa. Saturada pelo desgaste da nossa “vida política” dos últimos tempos (vale lembrar dos escândalos de corrupção, a escalada da violência, os efeitos da crise política-econômica-institucional, etc.), a população brasileira foi às urnas imbuída de um forte “desejo de mudança”. Não indiferentes a essa expectativa, novas figuras despontaram no cenário político nacional (os famosos out sideres). A maioria delas apresentou discursos que casaram bem com a expectativa do povo. Foram eleitas! 

Exemplo disso se passa no executivo nacional, a ideia de superação da corrupção (que tanto nos assombra e que faz parte da dinâmica dos tecidos sócio-históricos - não que, com isso, defenda que seja legítima e necessária) e da violência (ainda que seja mediante o recurso da violência), conquistou parcela significativa de nossa população.  Exerceu até mesmo um fascínio sobre essa mesma população (alguns não conseguiam elaborar um discurso racional sobre “o porque” votaria no candidato que encarnava e expressava esse anseios, diziam apenas que gostavam da proposta dele e que ele representava a “mudança” tão esperada).

Fica a expectativa de que desta boa expectativa não se suceda o contrário. A Nação é constituída pela soma de todos os seus cidadãos!!! E isso está, ao mesmo tempo, antes e além de todo utopia!!!



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