sexta-feira, 13 de maio de 2016

O QUE É ABOLIÇÃO?


Hoje se completam 128 anos em que a escravatura foi oficialmente abolida no Brasil pela Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel, em 13 de maio de 1888  (sendo um dos últimos países da América a extinguir, oficialmente, a escravidão). No Dicionário Aurélio temos que o termo abolir significa: “1. Acabar com; revogar, extinguir. 2. Fazer desaparecer; extinguir, eliminar, suprimir. 3. Pôr fora de uso. 4. Eliminar, banir, suprimir”.

Disponível em: <http://cesariopinto.blogspot.com.br>
Nesse sentido vale a pena refletir: quais os limites e as possibilidades de compreensão da abolição da escravatura no caso da nação brasileira? A escravidão foi mesmo extinta? O que ainda persiste a eternizar, ainda que de forma metamorfoseada, os laços de escravidão em nossa sociedade? Onde estão os “libertos”? Que papel desempenham na sociedade? Como são vistos? Que espaço encontram em meio às desconfianças e preconceitos? Quais são as novas formas de escravidão em nossa sociedade?

Resquícios diversos da cultura escravista ainda se fazem presente nos apontando para o fato de que ainda é necessário que a abolição se concretize em diversos âmbitos de nossa sociedade: a maioria da nossa população carcerária é jovem, negra e pobre; o trabalho infantil ainda é uma realidade; o tráfico de drogas, de armas e de órgãos é uma terrível realidade que atenta de diversas formas contra a dignidade da vida; a prostituição infantil e a via da clandestinidade se constituem para muitos como meio de subsistência; a desigualdade social (falta de oferta equitativa de serviços de saúde, alimentação, educação e moradia); o elitismo; o paternalismo e a corrupção, sobretudo, na política; isto pra não dizer do preconceito racial, social e sexual.


A abolição, sobretudo enquanto tomada no contexto de uma nação que se desenvolveu, em grande medida, as custa do regime escravista, deve ser tomada como uma ideia em um processo de construção contínua. Ela não é uma realidade dada. A abolição se dá expansivamente, primeiro através da libertação de correntes que cerceiam a liberdade individual (que leva os indivíduos ao comprometimento com perspectivas que determinam e aprisionam a si e ao próximo), depois através da ação concreta e consciente de todo e cada um dos indivíduos esclarecidos que lutam para que os grilhões da escravidão sejam dissipados das estruturas sociais (para que deixem de gerar a morte e passem gerar a vida). O que temos feito para que ela se torne mais real?

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Primeiramente quero parabenizar a você Cleiton pela iniciativa de criar um blog que expresse sua opinião sobre a realidade que nos cerca e muitas vezes nos cala. O texto acima é de grande relevância e faz uma crítica muito interessante a uma sociedade que "aboliu" a escravatura, mas preserva a marginalização de tantas pessoas. A igualdade ainda parece ser utópica.

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    1. Obrigado pelo comentário Emanuel.
      Fico feliz que o conteúdo tenha contribuído na gestação desta bela perola.

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