Hoje se completam 128 anos em que a escravatura foi
oficialmente abolida no Brasil pela Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel,
em 13 de maio de 1888 (sendo um dos
últimos países da América a extinguir, oficialmente, a escravidão). No
Dicionário Aurélio temos que o termo abolir significa: “1. Acabar com; revogar,
extinguir. 2. Fazer desaparecer; extinguir, eliminar, suprimir. 3. Pôr fora de
uso. 4. Eliminar, banir, suprimir”.
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Nesse sentido vale a pena refletir: quais os limites e as
possibilidades de compreensão da abolição da escravatura no caso da nação
brasileira? A escravidão foi mesmo extinta? O que ainda persiste a eternizar,
ainda que de forma metamorfoseada, os laços de escravidão em nossa sociedade?
Onde estão os “libertos”? Que papel desempenham na sociedade? Como são vistos?
Que espaço encontram em meio às desconfianças e preconceitos? Quais são as
novas formas de escravidão em nossa sociedade?
Resquícios diversos da cultura escravista ainda se fazem
presente nos apontando para o fato de que ainda é necessário que a abolição se
concretize em diversos âmbitos de nossa sociedade: a maioria da nossa população
carcerária é jovem, negra e pobre; o trabalho infantil ainda é uma realidade; o
tráfico de drogas, de armas e de órgãos é uma terrível realidade que atenta de
diversas formas contra a dignidade da vida; a prostituição infantil e a via da
clandestinidade se constituem para muitos como meio de subsistência; a
desigualdade social (falta de oferta equitativa de serviços de saúde,
alimentação, educação e moradia); o elitismo; o paternalismo e a corrupção,
sobretudo, na política; isto pra não dizer do preconceito racial, social e
sexual.
A abolição, sobretudo enquanto tomada no contexto de uma
nação que se desenvolveu, em grande medida, as custa do regime escravista, deve
ser tomada como uma ideia em um processo de construção contínua. Ela não é uma
realidade dada. A abolição se dá expansivamente, primeiro através da libertação
de correntes que cerceiam a liberdade individual (que leva os indivíduos ao
comprometimento com perspectivas que determinam e aprisionam a si e ao próximo),
depois através da ação concreta e consciente de todo e cada um dos indivíduos
esclarecidos que lutam para que os grilhões da escravidão sejam dissipados das
estruturas sociais (para que deixem de gerar a morte e passem gerar a vida). O
que temos feito para que ela se torne mais real?

Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirPrimeiramente quero parabenizar a você Cleiton pela iniciativa de criar um blog que expresse sua opinião sobre a realidade que nos cerca e muitas vezes nos cala. O texto acima é de grande relevância e faz uma crítica muito interessante a uma sociedade que "aboliu" a escravatura, mas preserva a marginalização de tantas pessoas. A igualdade ainda parece ser utópica.
ResponderExcluirObrigado pelo comentário Emanuel.
ExcluirFico feliz que o conteúdo tenha contribuído na gestação desta bela perola.