Crise. cRise. crIse. CriSe. crisE. CRISE. Reverbera-se o termo “crise” nos mais distantes rincões da Terra; os meios de comunicação de massa alardeiam-no massificadamente; formadores de consciência mais confundem do que esclarecem acerca da cena de época e da compreensão do problema ao omitirem/negligenciarem o seu longínquo enraizamento (devido, sobretudo, a carência de uma profunda e acurada análise de conjuntura). Propaga-se o termo sem uma terminologia correspondente. Como se esta conceitualização, de certa forma sacrifical, expiasse os males gestados desde a organização social vigente. Como se esta conceitualização desse conta de captar acuradamente os diversos espectros da caótica realidade sócio-histórica. Como se esta conceitualização estancasse a barbárie a aflorar das mais variadas formas, nos mais variados campos da vida humana: ético, moral, político, religioso, cultural, econômico, institucional... As condições sócio-históricas vigentes, o modo de produção e reprodução material da vigente, o modo de configuração e de organização do “todo social”, conduzem o homem não a uma “crise de momento”, como se fosse o acontecimento escatológico de hoje, mas a um momento permanente de crise gestada desde muito a partir das condições criadas pelo processo de desenvolvimento, concomitantemente progressivo e regressivo, da civilização humana.
Esta terminologização indiscriminada, na qual tudo se resume à "crise", serve muito mais para o encantamento da realidade do que para o seu desencantamento, isto é, serve muito mais para velar a realidade do modo como ela se manifesta superficialmente - "em crise" - do que para a realização do movimento compreensivo de ir até as causas mesmas dos sintomas superficialmente manifestos (ao desvelá-la, ao desencantá-la compreensivamente).
Indivíduos que se arvoram desde a posição que ocupam no "jogo social" para bradar, contra tudo que se manisfesta enquanto sinal de precariedade na estruturação da realidade social, o famoso chavão "É A CRISE!" sem se atentarem para os elementos presentes no processo de precarização desta assemelham-se a seres primitivos que sobem em uma esplendorosa árvore para, de lá, lançar pedras à esmo.
O que é crise mesmo? O que causa a crise? O que leva ao processo de instauração de uma crise? Estamos em uma crise permanente que se agrava de tempos em tempos?

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