Não venho por hora
tratar do que senti diante de obras particulares visitando Inhotim enquanto ávido “consumidor” de “experiências estéticas”. Quero
apenas pontuar duas questões: 1) o espaço reduzido disponibilizado para o trato
de questões estéticas próprias à cidade de Brumadinho no Instituto Inhotim (nesta cidade fica situado o Instituto) e 2) problematizar a eficácia da experiência estética
obtida nos limites de um recanto espaço-temporal definido para este fim na
medida em que se considera que o contexto maior em que se dá o processo de
educação/formação do homem lhe danifica o próprio aparato perceptivo do qual
ele se serve para ter esta experiência.
Uma das marcas do
processo civilizatório, progressiva e regressivamente constituído pelo homem ao
longo da história, é a instituição de lugares (a demarcação de porções de
espaço-tempo) para a vivência das experiências de que ele é capaz e que são
determinantes na manutenção das condições desde as quais se efetiva
constantemente este processo. Disso dão testemunho os jardins botânicos e os
zoológicos criados para o contato com a natureza; os templos para o encontro com
a transcendência; e os “museus da arte” dedicados à vivência de experiências
estéticas. Considerando o último caso, e a arte contemporânea em geral,
porquanto acentuam o papel desempenhado pela subjetividade individual nestas
experiências, cabe a seguinte pergunta: em que medida tais experiências não são
coisificadas? (isto porquanto a própria estrutura perceptiva a partir da qual
elas se realizam estão danificadas pelo tipo processo de educação/formação
experimentado pelo indivíduo no mundo da vida e, sobretudo, no mundo do
trabalho, numa época em que, sobretudo devido ao modus operandi característico do modelo econômico predominante, o homem inteiro é instrumentalizado - em
vista da produção de um estado de coisas que tornem possível a manutenção do
funcionamento ininterrupto das engrenagens que tornam operante o sistema
capitalista).

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